Siga, por favor

Alentejo

Seguimos clubes de futebol. Vestimos camisolas e apoiamos a nossa equipa. Damos 10, 20, 30, 40 ou mais euros para vê-la jogar mesmo quando decidimos não ir ao ginásio, comer biológico ou fazer uma massagem para recuperar porque não temos dinheiro.

Seguimos as empresas onde trabalhamos. Queixamo-nos mas acabamos sempre por defendê-las como se fossem nossas. Passamos nelas a maioria do nosso tempo e por vezes ainda mais que o necessário. Mesmo que tenhamos escolhido abdicar do curso de meditação ou colocar o filho no ATL para ajudar nos trabalhos de casa porque nos falta tempo.

Seguimos ideais políticos. Votamos sempre nos mesmos acreditando que estamos a investir na mudança. Mesmo sabendo que na realidade existem apenas duas frentes e ambas já deram provas suficientes de incompetência. Perante a novidade desculpamo-nos com a ideia pequena de que pelo menos, estes já conhecemos. Ou pior, deixamos de acreditar. Deixamos de votar.

Seguimos modas várias. A moda dos hambúrgueres gourmet, a moda de viajar para todo o lado sem realmente estar em lado nenhum, a moda dos tablets, dos headphones, das calças de ganga a caírem do rabo, dos saltos grandes e grossos. Mesmo que para seguir a moda tenhamos o cartão de crédito sobrecarregado. Mesmo que as calças apertem e os sapatos façam doer as costas.

Seguimos pessoas em redes sociais e nem sequer questionamos o que apregoam. Não nos damos ao trabalho de investigar o que dizem e entender se de facto está de acordo com a nossa verdade. Seguimos a família e os amigos, alimentando as expectativas que depositam em nós, receando que, ao partilharmos as nossas verdadeiras vontades, sejamos julgados. Seguimos programas de televisão, projectando na overdose de plástico enfeitado todas as nossas frustrações.

Frustrações que existem não porque somos seguidores. Seguir faz parte da natureza humana, tal como em tantos outros animais e está bem. O que não está bem, o que cria todas as nossas frustrações é que, com tanta coisa que temos de seguir, esquecemo-nos da mais importante: seguirmo-nos a nós mesmos!

Será que o jogo de futebol é o melhor investimento para a minha depressão? Será que o local onde trabalho me vai mostrar o meu verdadeiro valor? Será que os meus governantes serão capazes de resolver a minha crise interna? Será que a moda e o consumo são passaportes garantidos para a felicidade? Será que a vida com menos redes sociais, e-mails e partilhas de frases feitas perde a cor?

Sente-se e aquiete-se por cinco minutos. Apenas cinco minutos. Não faça nada. Escute apenas o silêncio. O vai e vem da respiração. O ritmo interno do corpo. Pergunte-se se nesse espaço onde chegou agora mesmo não estará tudo o que precisa. Agarre-o com a mesma garra com que festeja um golo da sua equipa. Dê-lhe o mesmo tempo que dedica aos negócios da sua empresa. Invista tal como investe no último modelo de telemóvel ou no carro desportivo. Por cinco minutos, siga-se a si mesmo.

E se os seus sonhos e desejos mais profundos começarem a revelar-se, não estranhe. Agradeça. É a sua merecida liberdade a conquistar espaço!

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