Seis passos simples para tomar uma decisão

Seis passos simples para tomar uma decisão

Estes últimos meses exigiram de mim a tomada de algumas decisões importantes: aceitar uma proposta tentadora para voltar para o mercado de trabalho que deixei há 10 anos atrás, vender a casa do Alentejo e fazer uma cirurgia com algum grau de invasão foram apenas algumas delas.

Decidir é algo que causa alguma angústia a qualquer um de nós. É uma espécie de aposta no escuro mesmo que racionalizemos até à exaustão sobre as escolhas que a vida nos propõe fazer.

Muitas coisas tenho descoberto sobre este fenómeno que é a explosão de sentimentos que a necessidade de tomar uma decisão exige. Uma delas é que o mais importante é tomá-la. Porque assim que fazemos a nossa escolha a angústia, a incerteza e a sensação de desconhecido desaparecem. Quando tomamos uma decisão começamos a conhecer a orientação que escolhemos seguir. Resta-nos apenas focar e fazer com que funcione.

Mesmo sabendo isto tudo, muitas vezes continua a não ser fácil fazer uma escolha. Face à minha intensa experiência destes últimos meses e para que a minha ansiedade crónica não disparasse, aperfeiçoei um método de decisão que tenho vindo a praticar há já alguns anos. Um método que retira toda a complexidade racional que tendencialmente coloco em cima das opções que me são apresentadas. Chamei-lhe deixar o corpo escolher. E é apenas isso.

Tomo a decisão de vender a casa como exemplo que foi uma decisão que demorou quase um ano para ser tomada. Ponderei os prós e os contras várias vezes, tentei analisar o mercado imobiliário, estudei o potencial de utilização que a casa poderia ter, para além de ser o meu refúgio ocasional. Nada me deu uma certeza de que seria melhor ficar com ela e investir em algumas obras ou colocá-la à venda. Foi quando resolvi deixar o meu corpo escolher. Para desenvolver esta prática, ajudou-me trabalhar com o movimento e terapias do corpo há mais de 10 anos e praticar meditação regularmente. Estou contudo convencida que pode funcionar com qualquer pessoa que se disponha a um momento de silêncio e quietude. O exercício é simples:

  1. Escolha um momento de solidão em que sabe que não vai ser interrompido pelo menos durante 10 minutos.
  2. Sente-se com as costas direitas numa posição em que se sinta realmente confortável. Os incómodos, as tensões e os lamentos naturais do corpo devem estar o mais silenciosos possível.
  3. Durante os primeiros momentos permita-se relaxar, ouvir o silêncio, dar atenção ao vai e vem da sua respiração até sentir que está concentrado.
  4. Nesse momento traga à mente uma das suas opções de escolha. E deixe-se ficar à escuta.
  5. Fique atento ao seu corpo. Mais tarde ou mais cedo ele vai dar-lhe um sinal. Uma sensação de aperto, uma contracção ou um sentimento de expansão e de liberdade. Aí terá a sua resposta. O corpo indica-lhe se se sente confortável com o que lhe está a propor.
  6. Respire fundo, agradeça ao seu corpo a sua sabedoria e termine quando achar conveniente.

No exemplo da decisão da venda da casa, eu sabia que estava muito apegada a ela. É uma casa com muito boas memórias, que me aproxima da família e que me oferece um abrigo e uma segurança que eu não sei se vou encontrar em algum outro lugar. Mas decidir não vender seria apenas apego e medo de sair da minha zona de conforto? Ou fazia de facto sentido manter o único bem que possuo e me oferece esta noção tão confortável de porto seguro?

Quando me disponibilizei a fazer o exercício assim que coloquei a hipótese de vender a casa, a resposta que o corpo me deu foi clara: o meu peito expandiu como se uma janela de repente se abrisse de par em par e deixasse entrar a luz num quarto que há muito não era iluminado. Liberdade era o que eu sentia!

Vender a casa do Alentejo é antes de mais um exercício de desapego. De reconhecer que sou mais forte do que a ilusão de um porto seguro. E de criar espaço para esta nova fase da vida que agora começa e já se anuncia tão grande. O meu corpo tinha, como é seu hábito, razão. E é tão mais simples do que as infindáveis – mas por vezes tão úteis – listas de prós e contras.

E se alguém andar à procura de uma casa-refúgio no Norte Alentejano, palco de muitos momentos felizes que me contacte!

Casa Alentejo

8 Responses to Seis passos simples para tomar uma decisão

  1. Ana Rita says:

    A Silvia põe em palavras o que tão bem sabemos no coração, mas que por vezes teimamos em não querer ouvir ! Obrigada por este post foi muito útil !

  2. Rui says:

    Obrigado pela partilha e por mais um ensinamento.
    Beijo

  3. Amiga Sílvia! É sempre “meio complicado” tomar este tipo de decisões. Escutar o nosso eu é um bom principio desde que… seja real.
    Os teus “conselhos” vão, com certeza, ajudar muita gente…
    Um beijinho grande,
    António Serra

    PS – Só por curiosidade a tua casa fica onde? (é que eu sou alentejano).

    • silvia says:

      Amigo António,

      Obrigada pela força, motivação e incentivo. :)

      A minha casa fica em Alter do Chão (Portalegre)

      Um grande beijinho

  4. says:

    Obrigado, pelas palavras, pela partilha…obrigado!
    Um beijinho

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