Porque é que todo o ser humano devia fazer apenas o que o faz feliz

Porque é que todo o ser humano devia fazer apenas o que o faz feliz

De entre o milhão de coisas que me emociona e me deixa com os olhos molhados, uma delas é ver um ser humano 100% alinhado com aquilo que é, a fluir corajosamente na sua própria capacidade de criar inspirando todos com a alegria de expressar o seu talento.

O episódio passou-se num concerto em Leipzig, na Alemanha no verão de 2013 e o protagonista é Bruce Springsteen. De entre o público saltou o pedido para ele tocar uma música que não estava no alinhamento previsto para aquele dia. Mais era uma música que nem sequer era dele mas do seu colega Chuck Berry. Quem percebe um pouco de música, de organização e de alinhamento de concertos sabe a dimensão do desafio que isto representa. E o que faz Springsteen? Em pleno palco, em frente ao seu público o cantor desafia os seus músicos a encontrarem as notas e os acordes certos para uma improvisação em que até a audiência é convidada a participar. O resultado é um momento raro de inspiradora fluidez criativa que pode ser visto neste video que andou a semana passada a circular pelas redes sociais.

Infelizmente somos poucos os seres humanos que fazemos aquilo que gostamos. Infelizmente somos poucos os que estamos satisfeitos com a forma como entregamos a nossa capacidade criativa à comunidade. O comum é ouvir as pessoas queixarem-se do seu trabalho. O comum é que todos trabalhemos para pagar contas e não porque sentimos ser a nossa “missão”.

Nenhum de nós merece investir uma vida inteira a fazer o que não gosta e só parar quando já está demasiado cansado, esgotado ou deprimido para conseguir ver que a vida é feita de mil cores. Todos devíamos ser ensinados de pequenos a valorizar os nossos dons, a perseguir os nossos talentos e a fluir na nossa infinita capacidade criativa. Porque cada um de nós tem um tesouro único para oferecer à comunidade. E de cada vez que um de nós não está a fazê-lo, não é só a sua vida que fica mais pobre. É a de toda a comunidade.

Assim, quando Springsteen aceita o desafio de cantar uma música que não estava prevista e nem sequer é dele, fá-lo não por orgulho, não por presunção mas porque Springsteen é um dos que descobriu qual o caminho a tomar para oferecer o seu talento à comunidade. É porque Springsteen se disponibilizou ao fluir criativo e, sem preconceitos, permitiu que extravasasse. Springsteen faz o que gosta. Logo Springsteen é o que faz. E a comunidade agradece.

Agora desafio-o a si: qual o talento único que possui e que só você pode oferecer à comunidade? Aquele que o faz vibrar e, tal como Bruce Springsteen, esquecer-se do tempo e do espaço e transformar um momento que podia ser embaraçoso numa comovente expressão criativa?

A comunidade precisa de si. Da sua presença, do seu talento. E para isso nem sequer é necessário ser como o Bruce Springsteen. Basta fazer as pazes com aquilo que faz e por nas suas tarefas mais daquilo que é.

O caminho para esta transformação? Simples: Aquele em que o tempo deixa de ser sentido como um fardo e a felicidade espreita em cada passo.

Bruce Springsteen

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