No metro em hora de ponta

Hoje quem viajou no metro da linha amarela na mesma carruagem que eu, tinha tido a oportunidade de sentir a emoção de um abraço entre duas amigas que se encontraram por acaso e já não se viam há muitos anos. No banco logo atrás também podiam ter reparado na alegria das rugas de uma velhinha mesmo velhinha ao abrir o rosto num sorriso enquanto agradecia a um jovem ter-se levantado para lhe dar lugar. Teria ainda testemunhado o beijo tímido de uma namorada no pescoço do seu companheiro que lhe retribuiu o carinho com um abraço aconchegante. Teria partilhado do prazer que as bolachas de chocolate provocavam numa adolescente, fechando os olhos e respirando fundo a cada dentada. E teria experimentado o amor com que uma grávida de sorriso nos lábios ia acariciando a enorme barriga que se adivinhava inquieta de vida palpitante.

No meio da nossa natureza queixosa nós humanos nem nos apercebemos do privilégio que é estarmos vivos. Testemunhar o bem estar alheio no anonimato de uma viagem de metro faz-me sentir tão feliz como quem o realmente experimenta. Como se fosse eu.

Mas naquela viagem de metro para além de mim e destas pessoas, todas as outras (sem exagero!) estavam ocupadas com o écran do seu telemóvel.

Chego a casa e recebo um telefonema da empresa de telecomunicações a oferecer-me um telemóvel novo com ligação à internet. Eu respondo com uma certeza que surpreende o vendedor: – não obrigada!

metro

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