Como distinguir o que é urgente e o que é importante na era da tecnologia

Como distinguir o que é urgente e o que é importante na era da tecnologia

Do “calhamaço” de matéria experiencial que tenho vindo a reunir ao longo da vida há temas que são mais fáceis de aprender e colocar em prática que outros. Há um que tem sido particularmente desafiante: definir prioridades no que diz respeito à minha relação com a tecnologia. Isto porque quanto mais ela invade a vida de todos nós mais vou percebendo que nem tudo o que se anuncia como urgente é importante e muitas vezes o que é importante nem sempre parece urgente.

Não é fácil trazer esta ideia para a vida prática sobretudo quando a tecnologia e as suas “urgências” são hoje uma ferramenta indispensável de trabalho. Contudo, se observar mais de perto, verifico que a sensação de urgência é demasiadas vezes fictícia, ilusória, irreal. Acreditar nela pode levar-me à perda daquilo que é realmente importante: a noção de mim, a percepção do outro.

Partilho convosco três práticas pessoais simples que me ajudam diariamente a descomplicar a minha relação com a tecnologia e a separar o urgente do importante. A minha intenção: que a tecnologia seja uma vantagem na construção da minha felicidade e não uma fonte de complicações e dispersão.

A urgência dos SMS

O meu telemóvel toca anunciando a chegada de uma mensagem. Só o simples vibrar faz nascer em mim a sensação de urgência. É preciso ver quem é, já! Pode ser um novo contacto para um trabalho ou um cliente a alterar algum prazo. Pode ser um amigo que precisa de ajuda ou um familiar com uma notícia importante. Se disser que 95% das vezes não é nada disto, não estou longe da verdade. O vibrar que anuncia uma nova mensagem faz crescer em mim uma urgência irreal quase como um reflexo condicionado. Assim, se estou a almoçar com alguém ou a trabalhar num texto importante, o meu telefone (salvo raras excepções) está no silêncio. Para mim é mais importante a partilha da companhia ou o foco no meu processo criativo do que a urgência do “bip” que vem do meu telemóvel.

A urgência da conquista do inútil

Estou no metro numa viagem longa “sem nada para fazer”. De repente ocorre-me pegar no telemóvel e tentar passar mais um nível do jogo. Tomando-a como a única opção de entretenimento disponível, este impulso transforma-se numa sensação de urgência. Uma urgência de conquista virtualmente inútil. Há cerca de 2 anos desinstalei todos os jogos e todas as aplicações que não faziam falta no meu telefone. Valorizei o que era importante: aproveitar os tempos de viagem para ler, para meditar, para me silenciar.

A urgência da informação

Nunca tivemos tanta informação disponível e tão rapidamente. Não me refiro apenas às notícias mas sobretudo às redes sociais. Um estudo recente revelou que actualmente se passa mais tempo a verificar as actualizações do Facebook do que os próprios e-mails. Se somarmos todas as vezes que consultamos as redes sociais ao longo do dia, provavelmente vamos assustar-nos com a quantidade de tempo que investimos aí. É efectivamente importante estarmos a par do que se passa à nossa volta e o Facebook transformou-se numa excelente ferramenta para mantermos o contacto com algumas pessoas. Mas a urgência que é criada é relativa: não me vai escapar nada de importante se durante uma manhã não abrir a janelinha do “F” azul. Não vou perder nenhum amigo nem nenhuma novidade de última hora. Porque se realmente for importante o Facebook não é o meio preferencial de partilha.

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2 Responses to Como distinguir o que é urgente e o que é importante na era da tecnologia

  1. Susana says:

    Concordo consigo. Exige de nos uma imensa disciplina e consciencia na intenção que colocamos nessa disciplina! Atualmente debato-me com o uso da internet e jogos no tlm por parte do meu filho mais velho, de 12 anos. As suas reflexões tem sido um bom contributo para as minhas. Obrigada :)

    • silvia says:

      Obrigada Susana,

      Imagino que com adolescentes, que já nasceram dentro de todas estas novas solicitações, será um processo desafiador por vezes.

      Grata pelas suas palavras. :)

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