Como continuar depois de atingir o ponto de exaustão?

Como continuar depois de atingir o ponto de exaustão?

Um artigo honesto sobre vulnerabilidade

Há três anos vieram os primeiros sinais de que algo não estava bem. Frustração, falta de paciência, uma auto-estima arrasada e uma facilidade em soltar as lágrimas ao mínimo detalhe. Intimamente eu sabia que se tinha instalado o caos. Externamente eu via que a vida me estava a fugir do controle. Nada fiz mas o destino encarregou-se de colocar tudo no devido lugar. O que eu não sabia na altura era que “colocar tudo no devido lugar” preparava-se para ser um caminho cheio de pedras e obstáculos imprevisíveis. Contudo, eu era forte, esperançada, positiva.

Há dois anos tudo o que eu ainda tomava como certo desmoronou-se. Acordei um dia e tomei consciência que o que achava que tinha construído afinal não existia. O vazio absoluto fez-me questionar o meu propósito. Acreditei que todas as decisões que tinha tomado ao longo da vida tinham sido as erradas. Eu era forte, sim mas começava a ficar um pouco cansada. Contudo, continuava optimista. Com dedicação, fé, trabalho e muito amor a realidade ia mudar.

Há um ano atrás a realidade continuava na mesma. Os desafios não tinham mudado. Os esforços tinham caído numa espécie de poço sem fundo. Recompensas? Nenhuma. O destino tinha adicionado uns extras aos desafios que já tinham sido criados. O grau de frustração era agora imenso. Houve dias em que parecia mesmo que o sentimento de derrota não tinha fim. A esperança era um pavio de vela mesmo no final, prestes a apagar-se.

Passou um ano e o pavio afinal não se apagou. A vida continua a lançar-me enormes desafios, é certo e há dias em que a sensação de frustração infinita me faz crer que a realidade nunca vai mudar.  Mas eu continuo com a mesma esperança e a certeza de que estou no caminho certo. Cada vez mais confiante, recuperando a minha força, teimosia e determinação a cada obstáculo ultrapassado.

Neste espaço de tempo têm sido muitos os momentos em que quase me convenci de que cheguei ao meu limite, que tinha chegado ao ponto de exaustão. Quando isso acontece há sempre uma voz interna que muito baixinho me diz: “confia, segue em frente, ainda não é altura de baixares os braços.” E eu sei que é verdade. O que faço então para sacudir a desmotivação e continuar? Eis algumas sugestões para inspirar quem acha que está prestes a desistir do seu caminho:

  • Acordar de manhã cedo e saltar da cama mesmo quando parece que o dia não vai trazer nada de novo. Beber um chá ou um café e sair para uma caminhada, de preferência numa zona verde. Caminhar lentamente e observar a natureza também ela a acordar devagar. Ou simplesmente abrir a janela e respirar o ar fresco do princípio do dia. A capacidade de renascermos todas as manhãs é uma prova de tudo tem potencial de renovação.
  • Sentir o desespero em toda a sua dimensão. É fácil tentar ignorar aquilo que doí na alma. Os écrans de telemóveis, as televisões ou os computadores estão cheios de aliciantes para nos anestesiarem e afastarem de nós. Mas o certo é que só somos inteiros quando nos permitimos sentir por inteiro. Sem cerimónias nem pudor. Se há tristeza, é deixá-la emergir, silenciar-se por momentos e escutar o que ela poderá ter para comunicar. É incrível a criatividade que cada emoção negativa nos oferece sempre que lhe é dado espaço para se transformar.
  • Respirar. Quando chega o momento em que parece que já não é possível dar nem mais um passo, dizer nem mais uma palavra, tomar nem mais uma decisão, o melhor é fazer aquilo que é possível: respirar. Sentir o ar a entrar e perceber que, pelo menos naquele pequeno momento, enquanto os pulmões enchem, tudo está bem. Repetir as vezes que forem necessárias até que a respiração ajude a constatar o óbvio: estamos vivos e isso por si só, é maravilhoso.
  • Partilhar. Vivemos tempos que nos exigem perfeição a cada instante. Tomamo-nos por máquinas infalíveis que não podem mostrar qualquer tipo de fragilidade. Quando algo falha, escondemos a vulnerabilidade atrás de um sorriso de um “está tudo bem”, de uma fotografia sorridente nas redes sociais. Partilhar a nossa vulnerabilidade com alguém não é apenas uma forma de nos ajudarmos a nós mesmos, expondo a nossa verdade, a nossa maravilhosamente falível humanidade. É oferecer ao outro espaço para também ele mostrar-se tal como é: imperfeito.

Como lidam com os vossos momentos de frustração, tristeza e desilusão? Partilhem as vossas ideias nos comentários abaixo ou através de e-mail.

 Mar Ericeira

Leave a reply