Afinal o que é o OM? E, já agora, para que serve?

A popularização da espiritualidade, do caminho do desenvolvimento pessoal, dos livros de auto ajuda ou das práticas holísticas trouxe com ela um conjunto de conceitos que passaram a fazer parte do nosso vocabulário comum. Passámos a utilizar alguns termos, expressões, pequenos rituais de forma banal. Detalhes que até há poucos anos atrás teríamos talvez olhado com alguma desconfiança ou resistência.

Para mim a espiritualidade, o ser humano, o seu desenvolvimento e o seu propósito são um dos assuntos mais sérios da nossa existência. Como tal, tudo o que me chega de novo, todas as teorias, novos mestres, conceitos ou pequenos rituais precisam de alguma investigação da minha parte. Se fizer sentido, então de alguma forma transformo e integro como mais uma ferramenta para o meu propósito de criar uma vida simples e feliz, mantendo sempre presente que tudo deve ser questionável antes de ser aceite.

Já todos nós ouvimos falar do som OM. O som primordial como é muitas vezes definido. A primeira vez que o ouvi foi no final da aula de yoga que tinha ido experimentar, na altura na tentativa de aliviar as minhas enxaquecas. Depois de uma sequência de posturas, meditámos e finalizámos com a vocalização do OM. Um grupo a cantar em uníssono este som faz um efeito sonoro lindíssimo. Mas eu e a minha racionalidade crónica precisávamos de perceber um pouco mais antes de levá-lo mais a sério. Mas na altura o meu tempo e motivação eram muito escassos para estas coisas.

Som primordial

Muito resumidamente, o som OM é  – de acordo com os ensinamentos Vedanta – o som que originou o Big Bang. Ou melhor é o próprio Big Bang. Onde antes havia silêncio, o OM surgiu. Surgiu mas não cessou. O OM continua a ser esta expansão continua do Universo e continuará enquanto o Universo existir. Ele tem origem no Silêncio. É o som que nasce da consciência pura (sugiro a leitura deste artigo para informações mais detalhadas).

Até há pouco tempo o som OM não tinha um significado muito especial para mim. Tinha ficado em “banho-maria” desde a altura das aulas de yoga. Mas há uns meses ouvi este discurso de Shonda Rhimes (uma das mais poderosas mulheres da televisão norte-americana). E a minha perspectiva mudou.

Tal como Shonda também eu trabalhei em televisão numa profissão que  aparentava ser de sonho, inclusivamente para mim. Embora na altura estive demasiado ocupada para ouvir o OM interno, o entusiasmo, a motivação e a energia aparentemente inesgotável com que me envolvia no meu trabalho era muito semelhante ao que esta mulher descreve no seu discurso. O meu trabalho fazia-me vibrar. E o que é o som senão uma vibração? O meu trabalho era o meu OM.

Tal como Shonda, um dia deixei de vibrar com o meu trabalho. O que antes era motivação passou a ser sacrifício. Onde havia energia inesgotável, passou a haver cansaço crónico. Quem experimentou a satisfação plena na realização das suas tarefas sabe que é difícil continuar quando a motivação já não está lá. Quem conheceu a felicidade naquilo que faz sabe que não é possível fazer algo que não nos faça vibrar.

Sem conseguir lidar mais com a frustração, não sabendo bem o que me estava a acontecer, saí da televisão à procura de algo que ressoasse de novo em mim. Comecei uma longa viagem que dura há mais de dez anos. Fiz muita coisa: frequentei uma pós-graduação em turismo de aventura, estudei Medicina Tradicional Chinesa, especializei-me em Chi Kung, aprendi a ensinar Meditação. Fui guia de montanha, professora de chi kung, orientadora de meditação. Mas nada do que fiz depois da televisão, nada do que fui me fez vibrar como vibrava naquela época.

Ou melhor, quase nada. Há dois anos, num retiro de Mindfulness com o monge Thich Nhat Hahn em Barcelona, comecei a sentir um ligeiro eco dessa vibração. Era algo discreto mas sentia-a. Reconheci-a pela familiaridade. A esperança surgiu. Passei a estar mais atenta nas minhas práticas de meditação. Comecei a constatar que quando por um milésimo de segundo a voz da minha mente se silenciava, lá estava ela. E não era apenas uma vibração. Era um som: – huuuummmm!…. O meu entusiasmo, a minha fonte de energia inesgotável não se tinha extinguido.

O ano passado fui convidada para um congresso internacional de escritores de viagens. Daí surgiram várias oportunidades de trabalho na área da escrita. Dessas oportunidades nasceram outras e mais outras. A escrita – a par com a meditação – regressou em força à minha vida.

Há duas semanas, assoberbada com um trabalho de produção de texto de grande responsabilidade, sentei-me para a minha prática de meditação e… lá estava ele. Alto e bom som, o meu huuummm! A minha vibração tinha voltado em força. E agora já podia atribuir-lhe um nome: OM.

Quando me sento para escrever lá está ele. Quando chegam ideias para trabalhar em texto torna-se o meu melhor companheiro. Nessa altura, o propósito de toda esta minha experiência vivida ao longo dos últimos 12 anos revela-se: escrever sobre o tanto que tenho aprendido. Inspirar, partilhar, ambicionando ajudar a despertar em cada vez mais pessoas o seu próprio OM. Porque a vida em plena vibração é a vida que vale a pena.

O OM não é apenas uma expressão “new age”, um ritual para terminar as aulas de yoga ou algo que é agradável ao ouvido. O OM é “a voz de Deus a sussurrar-nos ao ouvido” (Shonda Rhimes). Senti-la é ter a certeza que estamos a cumprir a sua vontade, o nosso propósito. Seja ele profissional, pessoal ou familiar.

Se tem dúvidas que ela existe em si experimente silenciar-se. Feche os olhos e fique à escuta. Cinco, dez minutos. Mais nítido ou mais tímido, o seu OM está lá, à espera que o ouça.

Está na hora de fazê-lo vibrar!

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