7 conceitos que o minimalismo não é

7 conceitos que o minimalismo não é

Algures num passado recente alguém veio ter comigo porque tinha finalmente conseguido tornar-se minimalista relativamente ao seu telemóvel. Agora possuía um telemóvel leve e pequeno que tinhas apenas as funções de fazer e receber chamadas; enviar e receber sms; relógio e despertador.

Para chegar aqui este meu conhecido tinha investido uma tarde do seu tempo a viajar em sites da internet à procura de telefones minimalistas. Encontrou este num qualquer país europeu e encomendou-o imediatamente. O preço não foi baixo. O argumento de venda inventado pelo marketing da marca era precisamente: “o telemóvel minimalista!” O aparelho chegou e ele imediatamente transferiu o seu cartão do smartphone para a sua nova e maravilhosa aquisição minimalista. O destino do smartphone foi a gaveta do móvel do escritório. “Porque nunca se sabe se pode voltar a ser preciso…” foi o seu argumento.

Nunca lhe disse que a minha forma de experimentar o minimalismo não passava pela aquisição de objectos, marcas ou conceitos que se vendem como minimalistas e encher as gavetas lá de casa com aquilo que “já não está de acordo com a nova filosofia de vida”. Pelo contrário, minimalismo para mim é menos. É aproveitar o melhor daquilo que já possuo e despejar gavetas. É dar, vender ou reciclar o que não me faz falta e criar mais espaço e menos dependências materiais à minha volta. Na minha visão minimalismo não pode ser definido por nenhum objecto.

Ou seja, em traços gerais o minimalismo para mim não é:

  1. A compra de um serviço ou marca cujo argumento de venda é algo à volta dos conceitos “simples” ou “minimalista”. Se não me faz falta de uma forma não me vai fazer falta só porque está supostamente de acordo com o meu estilo de vida.
  2. Reciclar mais. Ao contrário, para mim, minimalismo é reciclar menos exactamente porque consumo menos e dentro daquilo que consumo prefiro escolher coisas que não produzam lixo que seja necessário reciclar. Para isso evito comprar produtos embalados, detergentes poluentes, objectos descartáveis…
  3. Pertencer a um grupo, a uma comunidade ou a uma crença. Minimizar ajudou-me a aceitar-me como sou independentemente do que os outros possam pensar de mim. Faço as minhas escolhas exclusivamente baseadas na minha consciência, no meu bem estar e no impacto que isso possa ter no meio que me rodeia. Não deixo que nada nem ninguém defina os meus limites, a minha liberdade.
  4. Uma moda. Um estilo próprio de design elaborado que me rodeia de ambientes acéticos, monocromáticos e de linhas rectas. Minimalismo pode ser altamente colorido cheio de objectos “pirosos” desde que eles adicionem valor à minha existência. Seja um valor emocional – dão-me alegria e enriquecem o meu sentido estético (como as plantas e as flores que tenho no meu espaço de trabalho) – ou funcional – servem um propósito útil que simplifica os meus dias (como o meu computador portátil).
  5. Criticar quem ainda faz do consumo um estilo de vida. Da mesma forma que me distanciei de uma necessidade vital de aceitação social também dou aos outros essa liberdade. Cada um é como é e está na etapa da vida que necessita de estar. A única coisa que posso fazer é continuar a honrar as escolhas que tenho vindo a fazer e com isso oferecer a minha felicidade ao mundo sem qualquer pretenção de “evangelização”.
  6. Ser minimalista não é complicar. É o contrário: é simplificar. E simplificar não significa que não seja complexo. Pode ser! Muitas vezes até é na complexidade que encontro o desafio para continuar a aprender e evoluir. Mas isso não significa que tenha de complicar, um verbo  que vive mais na mente do que na experiência real da vida.
  7. O minimalismo não é uma meta ou um objectivo final. É uma opção diária de tornar os dias mais fáceis, mais cheios daquilo que realmente importa. É uma atitude que escolho ter a cada momento da minha vida.

Simplificando: minimalismo é para mim optar por uma vida simples e descobrir que a harmonia não se encontra em nada do que venha do exterior mas sim a partir do momento em que assumo a responsabilidade de internamente cultivar a minha própria felicidade.

E para si? Qual o seu sinónimo de minimalismo?

Buganvilia

2 Responses to 7 conceitos que o minimalismo não é

  1. Isabel Bolsa says:

    O meu sinónimo de minimalismo é “descomplicar”, o que pode ser considerado igual a “simplificar”, embora não o seja para mim. Defino “descomplicar” a vida como a atitude consciente de aceitação incondicional daquilo que a vida nos traz como sendo natural e ultrapassável, ou seja, a atitude de viver a vida de forma a tirar o melhor partido dela, crentes de que já temos na nossa posse as ferramentas necessárias para superar os obstáculos. Será uma espécie de “não fazer uma tempestade num copo de água”, ou a versão “preguiçosa” de “simplificar” que, na minha opinião, representa uma atitude mais proativa de preparação do amanhã. Para mim, “simplificar” é agir antes do acontecimento, para que esse acontecimento se encaixe da forma mais fácil e tranquila possível na nossa vida, sem a perturbar demasiado. É uma preparação da e para uma existência mais serena.

    “Descomplicar” será uma reação, enquanto “simplificar” será uma ação. Se calhar interligam-se na busca pelo minimalismo. Talvez a conquista de uma vida verdadeiramente minimalista careça de ambas, mas eu estou consciente de que o meu caminho tem sido percorrido mais no sentido de “descomplicar” do que no de “simplificar”.

    Até breve!

    • silvia says:

      Obrigada Isabel pela partilha. Gosto muito da reflexão. E achei a definição “não fazer uma tempestade num copo de água” deliciosa. :)

      Um beijinho

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